27 de setembro de 2011

Atrito

Estou parada há alguns minutos... sem taquicardia, sem sangue no rosto, sem sombra de dúvidas. Não vejo sentido. Dentro de mim uma energia se concentra, bem no fundo, como uma cereja cheia de visco... E isso treme um pouco, mas tão pouco que não abala as estruturas. Pensei em desistir. Mas algo me diz que não devo. O devir... Todos devem seguir para o que der e vier... Minha cereja ainda está viscosa e não é possível morrer desse jeito... Para morrer, a pessoa deve estar curada como um queijo, seca, curtida... Estou aguada. Derreto, não me contenho, eu choro, eu babo no travesseiro, e um líquido escorre por entre as pernas... Estou viva. Meu coração é meu e eu quero sentir tudo.  Mas a vida... Não consigo. Não tenho coragem... Quero me ferir como se fere a um gado. Quero me dar de comer a mim mesma. "Il y a toujours quelque chose d'absent qui me tourmente". E tenho coragem sim. Mas é tudo f(r)icção.

Imagem: Camille Claudel.

1 ...dizer(es).:

Ramon de Alencar disse...

...
-No final, só nos resta o Continuar.
Palavras tão pesadas feito pedras, mas são de pedras as mais belas esculturas...

''as flores são pedras que um dia desejarem a eternidade''